Crianças abrem Noite dos Tambores Silenciosos
24/02/2020 21:44 em Carnaval 2020

 

A batida paralisa, o brilho das roupas encanta e a presença das crianças aponta para o futuro de uma tradição secular. Foram juntamente os maracatus mirins que abriram a Noite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do Terço, Centro do Recife, na noite desta segunda (24).

 

O tradicional evento reúne as raízes do povo negro e chama a atenção pela pluralidade de elementos e instrumentos musicais. O ponto de partida foi a apresentação das crianças aos orixás. Neste momento de grande espiritualidade, a iluminação do Pátio do Terço foi desligada.

 

Após o fim do rito, os maracatus mirins começaram a se apresentar. Um dos primeiros da noite, o Estrela Dalva, da comunidade do Coque, na área central do Recife, mostrou preparo e emoção.

 

Silas Wesley, com o instrumento caixa, se apresenta no local, há alguns anos. "Fazemos uma preparação o ano inteiro para ter uma apresentação ímpar", diz, ao lado dos jovens tocadores de alfaia Luyde e Daniel, de 14 e 13 anos, respectivamente.

 

Emoção também foi o sentimento da jovem Nicole Cavalcanti, de 13 anos, do Maracatu Nação de Oxalá, no Pina,na Zona Sul da capital. Ela carrega a calunga, boneca negra símbolo da apresentação: "é uma emoção muito forte", diz.

 

A tradição passa de geração em geração. Melissa Valente, do Macaratu Leão da Campina, se apresenta ao lado da filha, a pequena Zoe, de 4 anos. "A gente faz tudo junto. Ela vai comigo no maracatu e afoxé", conta.

 

Admiração e respeito

 

Para quem vê pela primeira vez o espetáculo, o encanto é visível. Josélia Lima e Marcos Barreto, de Afogados, na área centra da cidade, chegaram ao evento, guiados pelo toque do maracatu. "Estamos maravilhados ", diz Marcos.

 

Já os amigos pernambucanos Chico Pedrosa e Ana Beatriz foram apresentar a celebração para Nilo Mineiro, de Belo Horizonte (MG). "Me fascina essa relação espiritual e transcendental", explica Chico.

 

A noite dos tambores silenciosos é um encontro baseado na ancestralidade e no respeito aos orixás, há mais de 40 anos. As apresentações entram pela noite e às 0h em ponto, as luzes voltam a se apagar para o rito de candomblé no Pátio de São Pedro, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Terço.

 

 

 

Fonte: g1.globo.com/pe

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